Competências desejadas do educador físico que deseja intervir com psicomotricidade.

Artigo Publicado no site Portal da Educação Física – agosto/2010

A palavra competência freqüenta o discurso corporativo, acadêmico e esportivo de nossa mercado de trabalho. Isso sem contar que ela faz parte de inúmeros atributos dados às pessoas bem sucedidas em suas carreiras.

Ser competente., segundo os dicionários da língua portuguesa, é a atribuição de desempenhar certos encargos ou de apreciá-los ou julgá-los. Fora isso significa profundo conhecimento que alguém tem sobre um assunto.

Talento e habilidade são inatos, apesar de serem treináveis e possíveis de desenvolvimento. No entanto competência é para poucos. Somente para aqueles que são eficientes e eficazes, na busca da excelência e do destaque no meio em que atuam.

Hoje o profissional da EDUCAÇÃO FÍSICA não é simplesmente um graduado com o destino traçado para intervir na educação e no esporte. Ele vai a busca de competências para atuar em praticamente todos os segmentos da sociedade. E um deles é o da Saúde.

Para trabalhar com psicomotricidade o Educador Físico é, em nossa opinião, o profissional que mais se aproxima do perfil ideal, pois estudou o corpo humano com suas potencialidades físicas e relacionais, detalhadamente. Fora isso, muitos seguem a busca de uma especialização e se enchem de competências adicionais para diversas intervenções.

As competências essenciais para essa atuação é o fato desse profissional se relacionar muito bem com o corpo (com seus defeitos e qualidades) e sempre estar a busca de melhores desempenhos físicos e emocionais.

Ainda há aqueles que somam competências diversas e são capazes de intervir concomitantemente em áreas distintas, com a mesma habilidade. Por exemplo: são professores e ao mesmo tempo terapeutas da emoção e da ação, quando acompanham treinamentos, fazem programas para populações especiais, intervém com pessoas portadoras de patologias e buscam qualidade de vida ao seu cliente de diferentes formas e utilizando dos mais variados recursos.

Há também aqueles que agregam outra competência: o espírito empreendedor, modulando novas formas de atuação e negócios.

Portanto, com o educador físico essa palavra toma a extensão plena de significados,  entendendo-os às duas definições convencionais da palavra:

competência 1= capacidade, habilidade, aptidão…
competência 2= autoridade outorgada para julgar, decidir, agir…

 Quero dizer, com isso, que não basta ter as habilidades necessárias para ativar uma ação, é imprescindível conhecer o alvo e a necessidade a ser satisfeita e se apossar dessa responsabilidade.

Muitos educadores físicos possuem habilidades gerenciais, motivacionais, emocionais, relacionais importantes para a psicomotricidade.

Lidar com o ser humano é uma tarefa bastante complexa (apesar de apaixonante). Além das diferenças individuais o homem é um animal que buscar a sobrevivência, mas de forma bastante civilizada. Sobreviver à gula, ao desejo e prazer, aos sentimentos exacerbados e, principalmente,  àqueles primitivos do instinto animal. Quando assessorado ou acompanhado de um bom educador físico os trabalhos psicomotores tomam uma dimensão prazerosa, informal e funcional. O “corpo” passa de um mecanismo motor para um continente de um sujeito cheio de história de vida, de alegrias e tristezas e de funcionalidade corporal.

Aqui incluímos, então, a questão do planejamento estratégico como uma das mais importantes contribuições das pessoas competentes. Elas possuem o hábito de se programarem, se organizarem e se dividirem em diferentes tarefas. Apesar disso, conseguem administrar o tempo e fazem dele seu aliado. Há vários graduandos que planejam seu futuro e mal finalizam um curso já estão inscritos em outros, a busca de novos conhecimentos e saberes.

Competência de educador físico é um agregado de conhecimentos, habilidades e atitudes relacionadas que afetam mais significativamente o desempenho de um papel objetivando a agregação de valor aos resultados desejados por cada um.

Qualquer habilidade se torna uma competência quando faz diferença na pessoa, de forma positiva. Vejamos alguns exemplos:

As competências por atributos (características pessoais) = são as habilidades que dizem respeito às aptidões e são a base do processo de performance. Refere-se aos aspectos potenciais da ação.

As competências práticas (postura pessoal) = são as habilidades que dizem respeito à manifestação concreta na atividade. Refere-se à ação propriamente dita.

As competências técnicas (conhecimento) = referem-se ao substrato técnico que detém o profissional e lhe permite fácil trânsito nas necessidades da função.Os atributos são a base do processo de performance. São eles que permitem e possibilitam a ação.

Por outro lado as competências práticas são a própria ação. Por exemplo, em algumas situações preciso ser impositivo (competência prática) e para tanto tenho que ter autoconfiança (competência de atributo).

As competências de atributo, que são de características pessoais, não garantem a realização das competências práticas, como as ações e resultados, porém aumentam consideravelmente a possibilidade de ocorrência. Portanto são as competências mais importantes para se considerar na escolha do educador físico que trabalhará com psicomotricidade.

As competências práticas são, de fato, as realizadoras dos resultados, como por exemplo: tomar-se decisões, definir-se focos, fazer-se acompanhamento sistemático, etc.. Mas são competências que se manifestam por conseqüência da ação dos atributos pessoais.

É preciso, além de ser educador físico,  ser “escultor” da qualidade de vida de nosso cliente/aluno, enfim…ser COMPETENTE por natureza e por opção.

Cacilda Gonçalves Velasco
Professora, Pedagoga e Psicomotricista
Presidente da  ASSOCIAÇÃO VEMSER (www.associacaovemser.org.br)
http://lattes.cnpq.br/2699937931926098